quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Chama


Cafetiliano, meu bem

Demorei a receber essa tua tão sutil arrogância (nunca mais tinha falado assim, e eu adoro tanto) porque os correios daqui estavam em greve. Não diga que eu evitei, não ponha palavras para preencher esse teu vazio... que é tão maior em mim. E o vermelho, Cafetiliano, o vermelho sempre esteve presente na tua vida, na nossa... Nosso amor é vermelho, carmim. Temos muito tesão, muita paixão... não faça a paixão ser a desculpa do medo e o tesão a desculpa da pressa. Falta pouco tempo para o nosso amor. E se tuas pernas te fizerem encontrar meus braços, danço na sua música.
Quando te sentir assim lembra de nós dois... O tentar não apressar, e ao mesmo tempo planejar. O imaginar como seria. O teu sofá que guarda histórias. A cor. As declarações. É tudo aquilo que Camões falou (Camões, daquele livro que te dei, lembra?).
Lembre-se da fogueira que você fazia na lareira. Aquelas chamas que sempre levavam as nossas danças... as nossas danças, meu amor. Você me tomou nos braços, e mesmo sem som algum, suas mãos me fizeram ouvir a mais bela música. Naquele momento encontrei um par para vida inteira que dançaria comigo qualquer ritmo. Nenhuma chuva apaga essa nossa fogueira. É sempre chama.

Coloque, de volta, meu sorriso na tua estante.

Com amor, Plutônia.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A geografia


Plutônia,

Agora se diz minha depois de evitar ser. Posse essa que não se tem direito ao tato, Pra quê então? Ora, do vermelho sinto o tantinho que incomodava, mas era só. Querendo ou não, o teu jeito sozinho de não depender de mapas, bússola, pente, me arrebatava; era tocante esse desleixo, mas a geografia das tuas medidas é que me aborreceu. Sempre se deixou levar o coração pro sul, agora me deixa acreditar de vez que o lugar dele é ao norte do teu umbigo, fora de minhas possibilidades, dentro do limite de teus orgulhos tardiços.

Temo que minhas pernas me leve aos teus braços.
Cafetiliano.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Amor-carmim


Cafetiliano, meu amor

Me deixe desenhar os aconteceres. Lembro de você tocando cada canto meu. Nos experimentávamos. As minhas unhas vermelhas sempre te contrariava, talvez, por serem o retrato um tanto voraz do amor-carmim que sonho encarnar.
Queria te saber por dentro, hoje, agora. Te preparar um beijo antes que você terminasse o vinho. Me espreguiçar fotografada pelo teu rosto e te ver me guardando em tuas pálpebras, me deixando escorregar em tuas curvas instantes depois.

Sinto falta do tanto que você me dava.

Tua Plutônia

Farto de manchas


Plutônia, minha buneca,

Ah! Falta teu vermelho na gola, a camisa de que nem tanta falta faz. Saudade que dá o teu gargalo, teu fogo no meu talo entre dedos. Ah! Falta suor nessa seca. Cadê a gordura de tudo? Cadê a mancheia, agora vazia, de pó do rosto teu? 

Tanto me enche de vagas essas tuas manchas em casa: pena, porque sofro com o registro, é o que faz aquele teu beijo de batom rubro no canto da portinhola encardida do espelho do banheiro.

Farto de tatear a memória,
Cafetiliano.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Teus olhos


Cafetiliano,

Aqui está frio, mas sinto o calor do seu olhar sobre minha pele... teu olhar me faz brasa. Deitada na cama passo o amor a limpo. Queria o seu olhar. Você me olhava, guloso. Me olhava, sem piscar. Teus olhos. Meus olhos. O tapete.
Tinha você ao alcance da minha boca. Minha língua querendo provar teu gosto. Você me pedia suor e eu me desenhava inteira em você. Poesia arranhada nas tuas costas pelas minhas unhas em vermelho. E nos teus braços me esquecia. Os teus abraços me vestiam. O silêncio cantava. O tempo, foi nenhum.

O corpo nunca se esquece de onde vem. Ninguém me veste tão bem quanto você. 

Plutônia.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A salada

Plutônia,

Tanta falta faz a nossa salada. Sinto-me cheio, e essa falta já não é minha: você me provocava fome. Chega de toucinho, feijão, amor em lata. Comer já não me alimenta. O que farei com o pepino, com a cenoura? O nabo já não tem gosto. Ah! Sinto falta de beber, como de costume, a poça de vinagre na cova do teu umbigo.

Nem sempre consigo convencer meu estômago para comer.

Cafetiliano.

Recadinho de guardanapo


Cafetiliano querido,
Alguém já te falou como você é impossível de esquecer no inverno? No outono também. Queria muito calor. Calor me lembra você, porque eu ficaria lembrando a tua cara quando o suor escorria pela sua testa e suas 'roupas' ficavam ensopadas. E mais ainda quando dizia suadinho: Eita, que calor da porra! Fecha essa janela e liga esse vento. Vambora fazer nosso inverno."
Mas, enfim, sem rodeios.
Estou com saudades de você hoje. Estava ontem. E rezo muito pra não estar mais amanhã.
De qualquer forma, um beijo. Um não, três. Um no ombro e os outros dois onde você quiser,rs.

Plutônia