Cafetiliano, meu bem
Demorei a receber essa tua tão sutil arrogância (nunca mais tinha falado assim, e eu adoro tanto) porque os correios daqui estavam em greve. Não diga que eu evitei, não ponha palavras para preencher esse teu vazio... que é tão maior em mim. E o vermelho, Cafetiliano, o vermelho sempre esteve presente na tua vida, na nossa... Nosso amor é vermelho, carmim. Temos muito tesão, muita paixão... não faça a paixão ser a desculpa do medo e o tesão a desculpa da pressa. Falta pouco tempo para o nosso amor. E se tuas pernas te fizerem encontrar meus braços, danço na sua música.
Quando te sentir assim lembra de nós dois... O tentar não apressar, e ao mesmo tempo planejar. O imaginar como seria. O teu sofá que guarda histórias. A cor. As declarações. É tudo aquilo que Camões falou (Camões, daquele livro que te dei, lembra?).
Lembre-se da fogueira que você fazia na lareira. Aquelas chamas que sempre levavam as nossas danças... as nossas danças, meu amor. Você me tomou nos braços, e mesmo sem som algum, suas mãos me fizeram ouvir a mais bela música. Naquele momento encontrei um par para vida inteira que dançaria comigo qualquer ritmo. Nenhuma chuva apaga essa nossa fogueira. É sempre chama.
Coloque, de volta, meu sorriso na tua estante.
Com amor, Plutônia.